O que é Calistenia | Klistenia ®

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A Calistenia é uma forma de exercício físico onde você usa o peso do seu próprio corpo para construir músculos. Sem aparelhos, academias e sem precisar gastar dinheiro. Poderíamos já concluir o artigo por aqui, mas se você deseja saber a história por completo, continue a leitura. Iremos nos aprofundar na história da Calistenia.

Prepare-se para viajar no túnel do tempo!

 

Origem da Calistenia

Segundo o dicionário etimológico de Antonio Geraldo da Cunha, o termo Calistenia vem do grego Kalllstenés, que significa “cheio de vigor” (Kallós – belo + sthenos – força. + sufixo ia).

À primeira vista, “cheio de vigor” nos dá a ideia de força, potência e virilidade, entretanto, se nos remetermos ao passado, poderemos ver que para os Helenos, este termo tinha o significado de “força harmoniosa”, que pode ser um termo interpretado como o equilíbrio entre as qualidades físicas, mentais e espirituais.

Calistenia na Grécia Antiga

Isso se explica, por que no período clássico, os gregos se baseavam na máxima “Mens sana in corpore sano” (Mente sã, Corpo São), projetando nos objetivos educativos a tentativa de formar cidadãos “com uma alma bem colocada num corpo são e vigoroso”.

Além da harmonia entre mente e corpo, os gregos, baseados em seus ideais de beleza, buscavam a perfeição no equilíbrio e na estética das formas.

Tal como pode ser visto, nas Artes plásticas e na Literatura, a valorização do Belo permitia que a estética fosse um dos grandes centros das aspirações gregas e o ponto para o qual convergiam todas suas atividades, inclusive as educativas, que estavam baseadas na música e na ginástica.

Cabe falar, que a ginástica aqui referida, também chamada de Calistenia, tinha como objetivo conseguir o aumento da força, sem deixar de lado a beleza e harmonia das formas corporais. Entretanto, não se pode dizer que esta prática era semelhante ao método ginástica que foi sistematizado no século XIX, e recebeu o nome Calistenia, contudo, serve para nos ajudar a entender melhor a origem e a essência da palavra.

 

 

A história da Calistenia

Desde a Grécia Antiga já se falava em Calistenia, contudo nessa época os exercícios realizados para o ganho da força harmoniosa e de um corpo esbelto, estavam de acordo com os valores adotados pela sociedade da época e seus ideais de educação.

CalisteniaEm Roma, os exercícios preparatórios aos jogos olímpicos e os exercícios da preparação militar também receberam essa
denominação, mas desapareceram por volta de 393 d.C., com a proibição dos jogos olímpicos, pelo Imperador Teodósio.

Nesta época, não se tratava de uma escola ou um método organizado, a Calistenia aqui citada, tem essa designação devido aos significados da palavra, e como poderemos ver mais adiante, era praticada por motivos muito distintos daqueles que levaram à sua sistematização.

O uso moderno dos exercícios calistênicos data do ano de 1785, quando o professor de ginástica Christian Carl André da escola de Salzman, na Alemanha, integrou a prática destes exercícios à educação física, para os dias em que não se podia praticar atividades ao ar livre.

Ele estabeleceu uma série de movimentos e posições com o objetivo de educar o corpo, ensinando-lhe, o que se intitulou, naquela época, como boas atitudes e a boa postura.

CalisteniaQuase meio século mais tarde, Clias, um suíço professor de ginástica, publicou, em 1829, o livro com o título “Kallisthenie – Exercises for Beauty and Strength”.

Este era um livro dedicado exclusivamente as mulheres e trazia, sem muita originalidade, propondo exercícios ritmados e sem aparatos manuais.

Desde então, surge, no meio profissional, uma distinção entre os termos: ginástica e calistenia.

A ginástica compreendia a prática das atividades propostas pelas escolas alemã, sueca e dinamarquesa, incluindo exercícios com ou sem aparelhos. Já a Calistenia, era entendida como a prática de exercícios, exclusivamente sem aparelhos, que foram denominados “exercícios livres”.

Alguns anos após a publicação do livro de Clias, um alemão chamado Spiess, passou a ensinar nas escolas da Suiça, a “ginástica leve para garotas”, que embora não fosse chamada de Calistenia, era essencialmente igual ao trabalho proposto por Clias.

Podemos dizer que a ginástica proposta por Spiess foi como “um grande motor propulsor” dos métodos ginásticas europeus e nos Estados Unidos da América.

 

 

O Dr. Skarstrom, um norte americano de origem sueca, que se baseou no sistema sueco e em suas observações da ginástica dinamarquesa, foi quem sistematizou o método ginástico denominado Calistenia, apresentando o que ficou conhecido como “Plano Skarstrom”.

Ele revisou a definição clássica de Calistenia, e conceituou-a como: numa combinação de exercícios simples, com arte, música e beleza, com a finalidade de exercitar todo o corpo, desenvolvendo graça na mulher e elegância no homem.

O programa de Skarstrom, segundo sua própria definição, era direcionado aos homens e às mulheres, sem distinção de sexo e idade. Baseado nos estudos da fisiologia, ele escolheu exercícios simples e agradáveis, sempre acompanhados de música.

Pouco tempo depois, Willian Wood, um dos propulsores da Calistenia nos Estados Unidos, introduziu algumas mudanças no Plano Skarstrom.

Estas modificações foram pequenas e não estavam relacionadas com os objetivos e princípios do método. Foram apenas alterações nas seqüências de exercícios propostos pelo Dr. Skarstrom, de acordo com as discussões que surgiam entre os fisiologistas da época. A preocupação com a saúde e o bem estar da sociedade continuaram sendo o objetivo geral.

CalisteniaA Calistenia se difundiu pelos Estados Unidos, chegando a ser ministrada nas escolas entre os anos de 1865 e 1900, mas logo deixou de fazer parte do currículo da educação física escolar, voltando a ser um sistema ginástica praticado e difundido, principalmente, entre os adultos, em clubes e associações.

No entanto, quer seja dentro da escola quer seja fora dela, a Calistenia sempre esteve ligada aos ideais de saúde preconizados pelos governos norte-americanos do século XIX, não só pelo bem estar físico e mental do seu povo, mas também pela necessidade de preservação daqueles corpos que vendiam sua força de trabalho para as indústrias, grande motor propulsor da economia daquela época.

 

 

 

Os princípios da Calistenia

A ginástica calistênica teve sua fundamentação no estudo da fisiologia, da anatomia e da mecânica do movimento, ciências que durante o século XIX tiveram um grande avanço e se tornaram reconhecidas em todo o mundo. Entretanto, foram as influências recebidas do método ginástica sueco e do alemão que caracterizaram as maiores contribuições para sistematização do método ginástica calistênico.

O método ginástica sueco foi subdividido em quatro partes, cada uma com seus objetivos particulares e uma denominação distinta: ginástica pedagógica e educativa; ginástica militar; ginástica médica e ortopédica; e ginástica estética.

A ginástica pedagógica e educativa visava a participação de todas as pessoas, independente de sexo ou idade. O seu objetivo principal era o de desenvolver o indivíduo harmoniosamente, assegurando a saúde e evitando a instalação de vícios, defeitos posturais e enfermidades.

A ginástica militar estava baseada na ginástica pedagógica e deveria incluir exercícios propriamente militares, tais como a esgrima e o tiro. o objetivo era de preparar o guerreiro para enfrentar seu adversário.

A ginástica médica e ortopédica também deveria estar baseada na ginástica pedagógica, visando eliminar vícios, defeitos posturais e curar as enfermidades com movimentos especiais.

A ginástica estética, assim como as outras, estava baseada na pedagógica, mas, além disso, deveria procurar o desenvolvimento harmônico do organismo e, para tal, ser complementada pela dança e por movimentos suaves que proporcionassem graça e beleza ao corpo.

Ao analisarmos os objetivos propostos pela ginástica sueca, podemos perceber grandes semelhanças com as idéias propostas pelos autores que participaram da sistematização da Calistenia.

A ginástica calistênica foi proposta para pessoas de todas as idades, permitindo a melhora de sua saúde, o desenvolvimento harmônico e o aprumo dos corpos, objetivos comuns à ginástica pedagógica, a ginástica médica e a ginástica estética.

Outro ponto importante para o método sueco, foi o objetivo de extinguir os vícios da sociedade, preocupando-se com a saúde física e moral, características que não eram essenciais para a Calistenia.

A revista Educação Physica, no ano de 1936, publicou um artigo que mostrava com detalhes os seis princípios adotados para a estruturação da Calistenia como um sistema ginástica. Faremos agora, uma pequena análise de cada um deles para que possamos entender a importância da estrutura adotada pelos autores do método.

O primeiro e fundamental em toda a educação é o princípio da seleção.

Dentre as inúmeras possibilidades que podem ser adotadas em um programa, devem ser escolhidas aquelas que mais se adaptam aos objetivos propostos por esse. Isso quer dizer que os exercícios calistênicos deveriam ser cuidadosamente escolhidos, de maneira que a série executada não fosse um simples agrupamento desconexo, e sim que permitisse alcançar os objetivos higiênicos, educativos, recreativos e de adaptação ao meio.

O segundo é o princípio da precisão.

Para se alcançar um objetivo definido, tal como a agilidade e a elegância esperadas na Calistenia, os exercícios têm que ser executados exatamente como o indicado, de acordo com as melhores definições de direção, extensão e velocidade para tal objetivo. Esta precisão na execução é resultado dos estudos da anatomia e da mecânica do movimento, e muitas vezes dá a ginástica um caráter artificial, métrico e racional.

O terceiro princípio a analisarmos é o princípio da totalidade.

Da mesma forma que os exercícios deveriam ter um objetivo definido, o programa diário do método calistênico deveria ter como meta um trabalho de efeito geral e nas grandes massas musculares. Este princípio era fundamental para explicar a ideia de elegância, equilíbrio e boa postura.

De acordo com os valores da antiguidade grega, a elegância e o equilíbrio estavam na harmonia das formas e na simetria dos corpos, por isso, seria essencial que as sessões de exercícios permitissem o desenvolvimento de todos os músculos, principalmente das grandes massas musculares, proporcionando um bom efeito estético-visual.

Os suecos conseguiram aplicação prática do princípio de totalidade elaborando uma Tabela, constituída por dez grupos com diferentes exercícios e objetivos definidos para cada um deles. Com base nessa Tabela, as seções diárias deveriam conter, no mínimo, um exercício de cada grupo ou um número maior para grupo fundamental, dada a finalidade escolhida para a série a ser realizada.

 

Tabela

I – Grupo Introdutório

1 – Exercícios de ordem, cujo fim, é de disciplina e atenção.

2 – Exercícios preparatórios – para aquecer o corpo, são em geral, leves e mais ou menos rápidos, principalmente dos braços e pernas.

II – Grupo Fundamental

3 – Exercícios de extensão da região dorsal e da coluna vertebral.

4 – Exercícios compensatórios para contrabalançar qualquer tendencia de aumentar a curva lombar no número anterior.

5 – Exercícios laterais do tronco.

6 – Exercícios de equilíbrio. (Podem ser feitos com ou sem aparelhos)

7 – Exercícios abdominais. (Podem ser feitos em pé, sentado ou deitado)

8 – Exercícios de extensão do tronco.(Mais vigoroso e geral do que qualquer grupo)

9 – Exercícios aceleratórios, para acelerar a circulação. (Saltos e corridas)

III – Grupo Conclusivo

10 – Exercícios lentos do tronco, braços e pernas/ com respiração para retardar a circulação.

 

Esta Tabela serviu como base para a estruturação da Calistenia. De acordo com a divisão proposta na Tabela, podemos entender o princípio da progressão. Com ele, era possível que a intensidade do esforço fosse aumentando progressivamente, caracterizando-se tanto pelo aumento do número de exercícios, quanto pelo aumento da velocidade e da complexidade de cada um deles.

De acordo com o princípio da unidade, os exercícios deveriam ser selecionados de forma que se completassem, sem se contrapor, evitando assim, que houvesse algum tipo de sobrecarga.

Por último, para a escolha dos exercícios deveriam ser levados em conta a idade, o sexo e a ocupação dos participantes. Este é o que princípio da adaptação, aspecto importante para a participação de qualquer pessoa nas aulas de Calistenia.

 

Música e Calistenia

 

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A música é um dos pontos fortes da Calistenia. Ela já era utilizada na ginástica desde a antiguidade grega. Os gregos, ou melhor dizendo, os helenos, eram amantes do belo e do harmonioso, e foram eles, que nos deram as bases da ginástica com música.

No entanto, na Grécia, a música era usada apenas como um “pano de fundo” para a prática da ginástica, ou seja, era somente um acompanhamento descolado dos movimentos realizados, por isso, caracterizado como de ordem ambiental.

Em contrapartida, no século XIX, a música teve um papel singular na sistematização da Calistenia. À música coube o papel de estimular o movimento, entusiasmar os alunos a acompanhar o ritmo e a cadência dos exercícios, e manter todos num mesmo compasso.

 

 

Calistenia nos tempos atuais

Depois de ter conhecido os conceitos e significados do termo Calistenia, de ter estudado o processo histórico-cultural que levou a sua sistematização, e quais foram suas bases metodológicas, podemos finalmente, analisar quais foram os conhecimentos deixados pelo método, ou seja, quais foram suas permanência na educação física dos dias de hoje.

Se nos remetermos à Grécia antiga e à prática da ginástica naquela época, poderemos ressaltar os ideais de beleza, a busca da harmonia das formas e do ser uno. Ideais que faziam parte de um conjunto de valores que compunham as “normas” da sociedade e suas aspirações referentes à educação. Isto quer dizer, que os gregos praticavam a ginástica com o intuito de construir corpos belos e esteticamente equilibrados, para que dessa forma conseguissem o mesmo com suas almas, pois acreditavam que um corpo são, era sinônimo de um espírito são.

Já no século XIX, a ginástica calistênica, estava diretamente ligada às mudanças decorrentes dos avanços da modernidade. No caso específico da Calistenia, as principais preocupações estavam relacionadas com os problemas orgânicos gerados pelas condições de trabalho desumanas e pelo crescimento desordenado dos centros urbanos norte-americanos.

Atualmente, podemos observar o evidente interesse e a atenção direcionada à busca de um corpo perfeito, da boa saúde, e da tão sonhada “qualidade de vida”.

CalisteniaFormas impostas pela mídia em geral e pela cultura massificada ditam o corpo da última moda, incentivando milhares de pessoas a praticar ginástica em busca de corpos esguios e sem curvas, no caso das mulheres, e corpos fortes e musculosos, no caso dos homens.

Devido à grande preocupação com a aparência, a atividade física transformou-se em uma “obrigação”. Com isso, a ginástica tornou-se uma atividade, muitas vezes, isenta de prazer em sua realização, com o caráter científico da melhora no rendimento aeróbio e da força muscular, assim como, nos métodos ginásticas sistematizados no século XIX.

Outro elemento de valor que a Calistenia traz é a utilização da música, um “instrumento”, até então descartado por outros métodos ginásticas.

Esta inovação se tornou um ponto importante nas aulas modernas de ginástica e se difundiu por várias áreas da educação física.

CalisteniaHoje, quando observamos uma aula de ginástica, o primeiro ponto que nos chama atenção é a batida forte da música eletrônica, que marca a cadência única dos movimentos realizados durante as aulas, não obstante, muitas destas aulas apresentam movimentos e exercícios muito parecidos com aqueles que eram utilizados na ginástica calistênica.

Dessa forma, podemos afirmar que a Calistenia foi um método ginástica sistematizado, que esteve inserido em um processo histórico-cultural e por isso reflete em sua estrutura este contexto.

 

Referências Bibliográficas

Livros e Teses

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Periódicos

Revista Educação Physica, no 7, ano IV, Dezembro, 1936.

 

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